
Um dia perguntaram-me se eu era a protagonista dos meus textos, se sentia o que escrevia, se estava a retratar vivenciase memorias. Nessa altura tentei explicar, mas sei que nao me compreenderam.
A verdade é que sou a rapariga que sonha, a rapariga que morreu, a rapariga que nasce a cada dia, a mulher que sedescobre, a que procura pelo amor, a que ama e a que chora, mas vendo bem as coisas, qual de nós não é essa pessoa?Sou eu retratada nos meus textos, mas sao todas as mulheres ao mesmo tempo, o que me leva a pensar que eu sou todas asmulheres, sendo todas sou nenhuma, pois todos os dias me sinto uma diferente.
Os sentimentos que descrevo sao meus, teus e nossos. Sinto-os todos os dias mesmo que não dê por isso, alguns nunca os senti, mas ao inventá-los fiz com que durante esse tempo os sentisse.
Claro que vivo o que escrevo, vivo na realidade, por vezes em sonhos, e outras vezes apenas os queria viver. E quem escreve sabe que a melhor realidade é aquela que criamos.
Por isso sim, sou eu a personagem dos meus textos, sou eu hoje,fui eu ontem e tentarei ser eu amanha.